Emergência climática em Vitória da Conquista: 46 anos de dados · Conquista Repórter × doClima
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Emergência climática · Vitória da Conquista · BA

A emergência climática
já chegou em Vitória da Conquista

Quarenta e seis anos de dados públicos sobre o clima do planalto conquistense traduzidos em gráficos conferíveis e em uma ferramenta para o cidadão cobrar quem decide.

+1,0 °C
desde 1980
234
dias de calor extremo em 2019
−39%
de mata nativa desde 1985
37
desastres oficiais desde 1993

Em Vitória da Conquista, a emergência do clima não é assunto distante: ela está na tarde que ferve no alto dos quase 900 metros do planalto, na estiagem que castiga a zona rural por temporadas inteiras e no temporal que, quando chega, desaba de uma vez sobre a Baixada do Jurema e os fundos de vale da periferia.

Neste raio-x do território, o Conquista Repórter e a doClima reúnem 46 anos de dados públicos sobre a temperatura, a chuva, as emissões de gases de efeito estufa, a vegetação e os desastres do município. Cada gráfico nasce de uma base oficial.

No canal da Avenida Caracas, no bairro Jurema, Rosânia Borges morreu após ser arrastada por uma enxurrada no dia 9 de março de 2026 · Foto: Mariana Lacerda
01Temperatura · CHIRTS-ERA5 · 1980–2025

O calor extremo aumenta ao longo das décadas

A temperatura máxima média de Vitória da Conquista subiu 1,0 °C em 46 anos. O dia esquenta +0,22 °C por década, enquanto as madrugadas seguem estáveis (+0,01 °C). Os dias de calor extremo, que quase não existiam nos anos 1980 e 1990, viraram rotina. Em 2019, o município bateu o recorde com 234 dias acima do padrão histórico.

Por que isso importa. O aquecimento chega ao cotidiano como tarde mais quente, madrugada abafada e onda de calor mais frequente. Cada fração de grau pesa primeiro sobre quem tem menos – idosos, crianças e quem trabalha exposto ao sol nas feiras e na roça –, sobrecarrega a rede elétrica com ventilador e ar-condicionado e castiga lavoura e rebanho. O termômetro conquistense é a versão local de um fenômeno planetário: o mundo já aqueceu cerca de 1,4 °C desde a era pré-industrial, e a cidade acompanha esse ritmo.

Leia no Conquista Repórter
“Fórum traz debate sobre mudanças climáticas para Vitória da Conquista” →
Fórum sobre mudanças climáticas em Vitória da Conquista
3º Fórum Desafios Climáticos na Bahia, em Vitória da Conquista · Foto: Karina Costa/Conquista Repórter
O que os dados dizem
mais dias de calor extremo que no ano 2000
234
dias de calor extremo em 2019, recorde da série
140+
dias de calor extremo por ano na década atual
Temperatura média anual
Máxima (dia) e mínima (noite) · linha grossa = média móvel de 5 anos
Fonte: CHIRTS-ERA5 · UC Santa Barbara · 1980–2025
+1,0°C desde 1980

Alta da máxima média, estatisticamente significativa. O aquecimento é de fundo, sob a oscilação natural de cada ano.

dia > noite

O calor do meio-dia avança década após década, enquanto as madrugadas mal se moveram em 46 anos. É a temperatura da tarde que mais pressiona a saúde, o consumo de energia e a produção rural.

Dias de calor extremo por ano
Dias acima do percentil 90 histórico da própria cidade · série a partir de 2000

O percentil 90 é a temperatura que só foi superada em 10% dos dias do período de referência. Na prática, conta como dia de calor extremo aquele mais quente do que 9 em cada 10 dias que Vitória da Conquista viveu historicamente.

A série começa com 73 dias no ano 2000 e não para de subir: 2015 e 2019 romperam a barreira dos 200, com pico de 234 dias, e a década atual roda consistentemente acima de 140. O calor extremo virou rotina.

Fonte: CHIRTS-ERA5 · UC Santa Barbara · 2000–2025
02Precipitação · CHIRPS · 1981–2025

Chove menos por ano, mas os temporais causam enxurradas

A chuva em Vitória da Conquista vem diminuindo: são cerca de 4,3 mm a menos por ano, uma queda acumulada de 191 mm em 45 anos. Os períodos chuvosos também estão mais irregulares: dez dos últimos 12 anos terminaram abaixo da média. Em 2019, o ano mais seco, choveu 466 mm; já em 1985, o mais chuvoso, foram 1.468 mm. Uma diferença superior ao volume de chuva que costuma cair em um ano inteiro.

Por que isso importa. Clima mais quente desarruma o ciclo da água: a atmosfera aquecida evapora mais, alonga a estiagem e concentra o que chove em pancadas curtas e violentas. Em Vitória da Conquista, menos chuva ao longo do ano aperta o abastecimento, a energia e a lavoura; quando a água volta de uma vez, é enxurrada. É o paradoxo do “seca mais, alaga mais”, duas faces do mesmo desequilíbrio. E a pouca água que resta chega maltratada: o Rio Verruga, que nasce na cidade, no Poço Escuro, corre sob o Centro coberto de esgoto e lixo — apontado como um dos rios mais poluídos do país.s

Leia no Conquista Repórter
“Com despejo de esgoto e descarte de lixo, Rio Verruga é um dos mais poluídos do Brasil” →
O Rio Verruga, que nasce em Vitória da Conquista, é apontado como um dos mais poluídos do país · Foto: Lays Macedo/Conquista Repórter
O que os dados dizem
10 de 12
anos recentes fecharam abaixo da média
−191 mm
de chuva a menos em 45 anos, tendência de queda
466 mm
no ano mais seco (2019), quase metade da média
Quanto a chuva variou a cada ano
Anomalia anual em relação à média histórica · linha = tendência

Barras abaixo de zero (laranja) são anos mais secos que a média. A inclinação para baixo confirma a perda de chuva no longo prazo.

Fonte: CHIRPS v3.0 · UC Santa Barbara · 1981–2025
Como a chuva se distribui no ano
Chuva média por mês (climatologia)

O regime é fortemente sazonal: os cinco meses de maio a setembro mal somam 117 mm, enquanto novembro a janeiro concentram mais da metade da chuva do ano, o que torna a estiagem e os veranicos mais críticos.

Fonte: CHIRPS v3.0 · UC Santa Barbara · climatologia 1981–2025
03Emissões · SEEG 2007–2023

Transporte, queimadas e agropecuária são principais emissores de gases estufa

Em 2023, Vitória da Conquista lançou 1,22 milhão de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera. Isso significa cerca de 3,3 toneladas por habitante, menos de um terço da média brasileira, de aproximadamente 11 toneladas, e metade da média mundial, de 6,6 toneladas. Os dados são do Observatório do Clima (SEEG), Banco de Dados da Comissão Europeia (EDGAR) e do Global Carbon Project.

Ao contrário do que ocorre em grandes capitais, as emissões de carbono conquistense vêm de dois lados: da cidade e do campo. A energia responde por 34% do total e, dentro desse setor, o transporte rodoviário é responsável por 85%. Na prática, quase 3 de cada 10 toneladas de gases de efeito estufa emitidas no município vêm dos veículos.

Outra principal fonte está na zona rural: 29% das emissões estão ligadas à mudança no uso da terra, como desmatamento e queimadas, e 24% vêm da agropecuária. Os resíduos representam os 13% restantes.

Por que isso importa. Os gases de efeito estufa são o motor do aquecimento, e cada emissão tem endereço. Em Vitória da Conquista o endereço é duplo: mexer no transporte (transporte público, combustível, mobilidade) ataca a maior fatia urbana; conter o desmatamento e o fogo no campo derruba a fatia rural. É uma agenda que se cruza com o ar que o conquistense respira e com a conta de combustível de cada família.

Emissões por setor (2007 a 2023)
Milhões de toneladas de CO₂e · empilhado por fonte · a partir de 2007
Fonte: SEEG · Observatório do Clima · 2007–2023
De onde vem a energia emitida
Subsetores da energia em 2023 · Mt CO₂e

O transporte rodoviário é a maior alavanca urbana: reduzir emissões na cidade passa, antes de tudo, por como as pessoas se locomovem.

Fonte: SEEG · Observatório do Clima · 2023
Em perspectiva

Entre as cidades médias baianas, a diferença não está apenas no tamanho das emissões, mas também de onde elas vêm. Feira de Santana (1,21 Mt) emite quase o mesmo que Conquista, mas tem um perfil mais urbano: cerca de 55% das emissões vêm do setor de energia. Já Ilhéus (0,65 Mt) e Itabuna (0,46 Mt), no litoral cacaueiro, têm uma parcela maior das emissões ligada ao uso da terra, como desmatamento e mudanças na vegetação.

O contraste é ainda maior no Oeste baiano. São Desidério (8,4 Mt), Jaborandi (5,9 Mt) e Barreiras (5,0 Mt), na fronteira agrícola do MATOPIBA, emitem de quatro a sete vezes mais que Conquista, principalmente por causa do desmatamento do Cerrado.

Vitória da Conquista ocupa uma posição intermediária: as emissões vêm tanto da cidade quanto das atividades rurais. Entender qual setor mais pesa em cada município ajuda a identificar onde estão os principais desafios para reduzir as emissões.

Esse cenário pode ser observado no explorador do Conquista Repórter, que apresenta o perfil de emissões dos 24 municípios do Sudoeste Baiano, setor por setor, permitindo comparar Vitória da Conquista com cidades vizinhas.

04Território · MapBiomas 1985–2024

Em 40 anos, o município perdeu quase 40% da mata nativa

Em 1985, Vitória da Conquista tinha 200,9 mil hectares de vegetação nativa, boa parte formada pelo cerrado que caracteriza o planalto. Quatro décadas depois, em 2024, restavam 122,4 mil hectares, representando uma redução de 39%.

No mesmo período, a área urbana mais que triplicou, passando de 3,4 mil para 12 mil hectares. A pastagem também ganhou espaço e hoje ocupa 36% do território do município, sendo o principal uso do solo.

A vegetação que volta a crescer ajuda a recuperar parte da área perdida, mas não é suficiente para compensar o desmatamento. Em 40 anos, o município teve uma perda de 52,4 mil hectares de vegetação nativa, uma área equivalente a mais de 70 mil campos de futebol.

Por que isso importa. Vegetação e clima são a mesma engrenagem. A mata guarda carbono, segura a umidade do solo, protege as nascentes, como a do Verruga, no Poço Escuro, e alivia o calor da cidade. Quando ela vira pasto ou asfalto, o carbono volta para a atmosfera e o solo perde a capacidade de reter água, o que realimenta o aquecimento e a irregularidade das chuvas dos capítulos anteriores. Em Vitória da Conquista, perder verde hoje é assinar uma cidade mais quente e mais seca amanhã.

A Reserva Florestal do Poço Escuro, mata nativa que abriga a nascente do Rio Verruga · Foto: Karina Costa/Conquista Repórter
Leia no Conquista Repórter
“O pulmão de Conquista está doente”: o abandono da Reserva do Poço Escuro, a mata que guarda a nascente do Verruga →
Como o território mudou
Hectares por tipo de cobertura · 1985–2024

O MapBiomas mapeia o uso do solo por satélite desde 1985, por isso a série começa ali. Cada faixa é um tipo de cobertura: a vegetação nativa (verde-escuro) encolhe década após década, enquanto a pastagem e a agropecuária (ocre) avançam e a mancha urbana (terracota) cresce sem parar; a mata em recuperação (verde-oliva) devolve parte do que se perdeu, mas não o bastante. Dentro dessa mancha urbana, o módulo Urbano do MapBiomas mostra o outro lado: só 14,5% é verde e 36,6% está em área inundável (veja abaixo).

Fonte: MapBiomas · Coleção 10 · Cobertura e Uso da Terra · 1985–2024
O município hoje
Uso e cobertura do solo em 2024
Pastagem (36%): pasto para o gado, plantado ou degradado. É o maior uso do solo no município.
Formação savânica (34%): o cerrado nativo do planalto, a vegetação típica da região.
Formação florestal (11%): as matas mais fechadas, incluindo os trechos em regeneração.
Mosaico de usos (11%): áreas onde pasto, lavoura e vegetação se misturam sem um uso dominante.
Área urbanizada (4%): a mancha construída, com ruas, telhados e galpões.
Outros: silvicultura de eucalipto, café, rios e lagos, campos naturais e demais lavouras.
Fonte: MapBiomas · Coleção 10 · Cobertura e Uso da Terra · 2024
Ocupação do território pela área urbana

Dos quase 10 mil hectares construídos de Vitória da Conquista, o verde cobre apenas 14,5%. E há um dado que explica as manchetes de cada temporada de chuva: 36,6% da área construída, mais de 4,2 mil hectares, está sobre zonas naturalmente inundáveis. Encostas íngremes, por outro lado, quase não existem, representam apenas 0,2% do município.

Verde urbano14,5% · 1.700 ha
Construído sobre zona de inundação (até 3 m acima do curso d’água mais próximo)36,6% · 4.286 ha
Construído em zona de transição (entre 3 m e 6 m acima do curso d’água)22,5% · 2.630 ha
Construído em encosta íngreme (declividade acima de 30%)0,2% · 24 ha

Barras em proporção da área construída. Os critérios são do MapBiomas Urbano: zona de inundação é o terreno até 3 metros acima do curso d’água mais próximo, o fundo de vale que o rio ocupa quando enche; zona de transição é a faixa seguinte, entre 3 e 6 metros, que alaga só nas cheias maiores; encosta íngreme é a declividade acima de 30% (cerca de 17°), na qual o terreno sobe 30 cm a cada metro e o solo saturado tende a deslizar. Os 4,2 mil hectares sobre zonas inundáveis conversam direto com o capítulo 06: são a Baixada do Jurema, a Avenida Caracas e os fundos de vale onde os desastres hidrológicos batem primeiro. E o verde urbano é a ferramenta mais barata contra o calor do capítulo 01: cada praça e quintal arborizado desconta décimos de grau da tarde. Compare estes números com os dos vizinhos na aba Cidade do explorador.

05Risco projetado · AdaptaBrasil / MCTI

Doenças ligadas ao clima são os maiores riscos para Conquista

O AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência e Tecnologia, estima a evolução dos riscos climáticos até 2050. O risco projetado é um indicador que demonstra o quanto o município pode estar vulnerável no futuro. A escala vai de 0 a 1, considerando três fatores: a intensidade da ameaça climática, o nível de exposição da população e a capacidade do município de se preparar e reagir.

Em Vitória da Conquista, os principais riscos projetados estão relacionados à saúde. A leishmaniose visceral aparece com índice de 0,94, considerado muito alto; as arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, chegam a 0,81, também muito alto; e a leishmaniose tegumentar marca 0,77, nível alto. A projeção é de aumento desses riscos à medida que o clima do planalto fica mais quente e a umidade muda.

Também aparecem entre os principais riscos o estresse hídrico, com índice de 0,76, e a integridade do bioma, com 0,75 – ambos classificados como altos.

Por que isso importa. As projeções de risco ajudam a entender o que pode acontecer no futuro com base em dados oficiais. Na prática, funcionam para orientar investimentos hoje e evitar problemas amanhã. Em Vitória da Conquista, os dados colocam a saúde entre as prioridades mais urgentes da adaptação climática. Doenças transmitidas por vetores, como leishmanioses e arboviroses, avançam onde a temperatura fica mais quente e a umidade muda. Os impactos tendem a ser maiores nas periferias, onde faltam saneamento, infraestrutura e acesso adequado aos serviços de saúde.

Escala do risco Muito baixo Baixo Médio Alto Muito alto · índice de 0 a 1, do azul (menor) ao vermelho (maior)
12 riscos · clique para detalhar
Sobre o AdaptaBrasil

O AdaptaBrasil MCTI é a plataforma oficial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação que mapeia os riscos das mudanças climáticas nos municípios brasileiros. Cada índice vai de 0 a 1 e resulta do cruzamento de dezenas de indicadores organizados em três níveis: do risco geral (nível 1) até os componentes detalhados de ameaça, exposição e vulnerabilidade (nível 3). São projeções: cenários de probabilidade construídos a partir de modelos climáticos do IPCC, e não previsões exatas. Servem para orientar políticas de adaptação e priorização de investimentos. Os valores em destaque referem-se ao risco atual; as projeções de 2030 e 2050 seguem cenários de emissões. Metodologia completa em adaptabrasil.mcti.gov.br.

06Histórico de impactos · S2ID / Defesa Civil

Cidade registra alta em desastres nos últimos anos

A Defesa Civil reconhece 37 desastres em Vitória da Conquista desde 1993, sem nenhuma morte oficial. A maioria – cerca de dois em cada três – é de estiagem e seca, o retrato do semiárido que cerca a cidade e que chega a atingir dezenas de milhares de pessoas de uma vez na zona rural. Mas quando o assunto é gente fora de casa, o vilão é a água: os nove eventos hidrológicos (enxurradas, inundações e chuvas intensas) respondem por quase todos os 8.459 desalojados da série – com destaque para a enxurrada de 2013 (5.320 desalojados) e as chuvas de 2021 (2.700). E o ritmo acelerou: só entre 2021 e 2024 foram seis desastres.

Por que isso importa. Desastre é a hora em que o clima vira manchete, luto e prejuízo. A seca aperta a lavoura e o abastecimento; a enxurrada arranca de casa quem vive no fundo de vale. As duas pontas conversam com o capítulo da chuva: um regime cada vez mais irregular alonga a estiagem e concentra o resto em temporais curtos e violentos sobre uma cidade que cresceu junto a canais e áreas alagáveis. Adaptar-se, aqui, é proteger primeiro quem mora na Baixada do Jurema, na Lagoa das Flores e nas margens do Verruga.

Leia no Conquista Repórter · mai/2026
“Rosânia: uma vida interrompida pela tragédia anunciada na Avenida Caracas” →
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“Medo da chuva”: o Jurema convive há décadas com alagamentos →
Leia no Conquista Repórter · editorial · mai/2025
O descaso com a periferia em tempos de crise climática →
Leia no Conquista Repórter · vídeo · nov/2025
“O verdadeiro problema, que é a falta de drenagem, não é feito” →
Desastres por ano
Eventos reconhecidos pela Defesa Civil · 1993–2024
Fonte: S2ID · Defesa Civil · 1993–2024
9 de 37
desastres são hidrológicos, ligados ao excesso de água
8.459
pessoas desalojadas no total, sem nenhuma morte registrada
6 desde 2021
eventos entre 2021 e 2024, sinal de aceleração recente
4.286 ha
da área construída estão sobre zonas naturalmente inundáveis (36,6% da área construída), MapBiomas Urbano
07Jornalismo de soluções · Caminhos possíveis

O que Vitória da Conquista pode fazer

Cada risco deste painel já tem resposta conhecida e testada. São frentes que dependem de planejamento, orçamento e, sobretudo, de pressão pública para sair do papel.

Segurança hídrica
Proteger a água que está sumindo

Com a chuva recuando cerca de 191 mm em quatro décadas e o estresse hídrico em nível alto (0,76), ganham urgência a proteção de mananciais, o reúso de água, a recuperação de matas ciliares e a captação de água da chuva.

Saúde e vetores
Conter dengue e leishmaniose

Os maiores riscos projetados são doenças sensíveis ao clima. A resposta passa por vigilância epidemiológica, saneamento, controle de vetores e eliminação de criadouros, com mais força no calor crescente.

Drenagem e enchentes
Conviver com a chuva intensa

A água é o que mais tira gente de casa, e 36,6% da cidade construída está em zona inundável. Drenagem sustentável, mapeamento e desocupação de áreas de risco e alerta antecipado reduzem o número de desalojados a cada temporada de chuvas.

Floresta e calor urbano
Repor verde, baixar o termômetro

Com a mata nativa 39% menor e o calor do dia subindo, a restauração florestal, a arborização urbana e a criação de áreas verdes combatem ao mesmo tempo as ilhas de calor e a perda de biodiversidade.

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08Ferramenta de cidadania · Cobre quem decide

Transforme os dados em cobrança

Dado não muda nada sozinho, cobrança muda. Escolha para quem vai falar e sobre o quê: a ferramenta monta uma mensagem pronta, com os números desta reportagem e a fonte de cada dado, para você enviar à Prefeitura, à Câmara ou aos seus representantes no estado e na União.

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09Fontes & método

Tudo aqui vem de dados públicos e oficiais

Nenhum número desta reportagem foi inventado por nós: tudo é público, oficial e rastreável até a origem. O que a doClima fez foi reunir cinco bases que não conversam entre si — satélite de clima, inventário de emissões, mapeamento do solo, projeções de risco e registros da Defesa Civil —, recortar cada uma para o território de Vitória da Conquista, padronizar períodos e unidades, calcular as tendências de longo prazo e traduzir tudo em reportagem conferível. Cada dado leva de volta à base original.

TEMPERATURA · CHUVA
CHIRTS-ERA5 e CHIRPS v3.0, bases de satélite da UC Santa Barbara (0,05°): temperatura e precipitação por município.
EMISSÕES
SEEG / Observatório do Clima: estimativas anuais de gases de efeito estufa por setor.
TERRITÓRIO
MapBiomas: coleção 10 (Cobertura e Uso da Terra, 1985–2024) e módulo Urbano (2024), para o interior da mancha construída.
RISCO PROJETADO
AdaptaBrasil / MCTI: índices de risco climático setorial até 2050.
DESASTRES
S2ID: registros oficiais da Defesa Civil de desastres reconhecidos.
POPULAÇÃO · ÁREA
IBGE: população estimada e área territorial do município.
doClima · inteligência climática para o Brasil

Vitória da Conquista é uma entre 5.570 cidades

Esta reportagem nasceu de dados abertos que existem para todo o país. No doclima.com.br você encontra o mesmo raio-x climático para os 5.570 municípios do Brasil: temperatura, chuva, emissões, floresta, risco projetado e desastres, sempre de fontes oficiais. A doClima é uma iniciativa de inteligência climática que transforma dados científicos em informação de utilidade pública, pronta para virar reportagem, política pública e cobrança.

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